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Beija-Flor é a campeã do carnaval 2018 do Rio

Beija-Flor é a campeã do carnaval 2018 do Rio
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Com críticas ao "Brasil monstruoso", escola falou de corrupção e intolerância e levou seu 14º título.

A Beija-Flor de Nilópolis é a grande campeã do carnaval 2018 do Rio de Janeiro.

A Rádio Jovem Mix realizou toda a transmissão ao vivo(em vídeo), além de exibições em tempo real no telão disposto para o público para apuração das escolas de samba; o ouvinte e telespectador que não comparecesse ao evento poderia assistir tudo acontecendo ao vivo pelo site e ainda acompanhar flashes ao vivo durante toda a programação da emissora.

A escola fez um paralelo entre o romance "Frankenstein" e as mazelas sociais brasileiras. Corrupção, desigualdade, violência e intolerâncias de gênero, racial, religiosa e até esportiva formaram o cenário de "Brasil monstruoso". A Beija-Flor tem agora 14 títulos no Grupo Especial do Rio, atrás apenas de Portela e Mangueira no total de vitórias.

Comandado por Neguinho da Beija-Flor, o samba-enredo "Monstro é aquele que não sabe amar (Os filhos abandonados da pátria que os pariu)" foi cantado em coro pelo público da Sapucaí, que ao final do desfile ocupou a avenida, seguindo a escola.

"A Sapucaí foi ovacionada pela alegria e emoção. A Beija-Flor fez as pessoas cantarem o samba pelo pedido de socorro. As imagens foram muito fortes, aquele teatro todo retratando o que o nosso país está passando. Foi um grito de socorro dentro de um samba-enredo", disse Raíssa, madrinha de bateria da escola.

O desfile foi todo de metáforas de terror sobre o Brasil. A escola levou para a avenida a "ala dos roedores dos cofres públicos" e a dos "lobos em pele de cordeiro", em referência aos políticos. A corrupção na Petrobras foi lembrada em fantasias com barris de petróleo na cabeça e em um carro que retratava o edifício sede da empresa, atrás de um grande rato.

Violência, poluição, impostos excessivos, sistema de saúde ruim e crianças carentes também lembraram o "terror brasileiro".

As cantoras Pabllo Vittar e Jojo Todynho foram destaques do carro "O abandono", representando a luta contra a intolerância de gênero e a intolerância racial, respectivamente.

Esta não foi a primeira vez que a Beija-Flor apostou em um samba crítico. Em 1989, a escola levou para a Sapucaí um enredo sobre o lixo, com um "Cristo Mendigo" que saía de dentro de uma favela.

Após uma decisão judicial que proibiu sua exibição, o Cristo foi coberto por um saco preto e levou uma faixa com a frase "?Mesmo proibido, olhai por nós". O desfile, histórico, rendeu à escola de Nilópolis o vice-campeonato daquele ano.

Desfile das campeãs

Voltarão com a Beija-Flor ao sambódromo para o desfile das campeãs, no próximo sábado (17), as escolas Paraíso de Tuiuti, Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade Independente de Padre Miguel.

Assim como a escola de Nilópolis, que levou sua crítica social para a avenida, a Paraíso de Tuiuti, que ficou com o segundo lugar, contou a história da escravidão no Brasil e condenou a reforma trabalhista aprovada recentemente. O destaque da Tuiuti ficou no último carro da escola, que levou um vampiro com uma faixa presidencial para a Marquês de Sapucaí.

A Mangueira não ficou atrás no quesito protesto, com um samba-enredo que ironizou a decisão da Prefeitura do Rio de cortar os recursos destinados às escolas de samba. Um dos carros representou o prefeito Marcelo Crivella como um boneco de Judas.

A comemoração

A festa pelo título da Beija-Flor de Nilópolis, na Baixada Fluminense, começou às 16h55, quando a escola confirmou a nota 10 que deixou a agremiação na frente da Paraíso do Tuiuti e do Salgueiro. Impedida de usar sua quadra devido a uma decisão judicial, a escola preparou um palco com um telão para os torcedores acompanharem a apuração. A festa deixou as ruas lotadas e repletas de camisas da agremiação.

Muitos representantes da Beija-flor estiveram presentes na festa do título do carnaval de 2018. A rua, onde o palco foi montado, foi completamente tomada pela comunidade. A todo momento, os presentes entoavam o canto de "é campeão".

Entre os presentes, o diretor de carnaval da agremiação Laíla era um dos mais emocionados.

"A gente defende o município com muito carinho. Eu não abro mão. A Beija-Flor teve a coragem de peitar e fazer democraticamente a voz do nosso povo. Nós tentamos mostrar a realidade do nosso país", disse Laíla emocionado em cima do palco montado em Nilópolis.

A porta-bandeira Selminha Sorriso afirmou que o título de 2018 foi diferente de todos os outros já conquistados. Segundo ela, a premiação é para todos os brasileiros e não só para os moradores de Nilópolis.

"Esse ano foi diferente. Dessa vez o título não é só de Nilópolis, representa o povo brasileiro todo. Iso ´ muito emocionante", disse a porta-bandeira.

Tensão e festa

Durante mais de uma hora, a disputa foi décimo a décimo, mas a escola venceu a disputa com notas 10 em um dos pontos mais fortes desse ano: o samba-enredo. No final, 269.6, contra 269.5 de Tuiuti e Salgueiro. A partir daí, foi só samba e festa na Avenida Mirandela, na Praça dos Estudantes, para milhares de torcedores.

"Com todo o respeito às outras escolas, senti que o título vinha quando uma parte da letra diz:'arrastão de alegria', e toda a Sapucaí inteira fez esse arrastão de alegria cantando esse samba", disse Diogo Rosa, um dos compositores do samba-enredo da Beija-Flor, chorando no palco improvisado para a festa.

A escola levou seu 14º título do carnaval do Grupo Especial. Só nos últimos 20 anos, foram nove conquistas, sendo a última em 2015.



Fonte:Central de Jornalismo

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