A B c D E F G H

Sem saber o que é vestibular até os 18 anos, ex-aluno de escola estadual passa em medicina em 4 universidades públicas

Sem saber o que é vestibular até os 18 anos, ex-aluno de escola estadual passa em medicina em 4 universidades públicas
Nenhum comentário.
Após descobrir sobre o processo seletivo, Douglas Lima fez cursinho por três anos para aprender o conteúdo do ensino médio.

Douglas Silva Lima, de 21 anos, é ex-aluno da rede estadual de São Paulo e foi aprovado em quatro universidades públicas, no curso de medicina: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Há três anos, o jovem sequer sabia o que significava a palavra “vestibular”. Ele e a mãe, a costureira Marilene, pensavam que, para entrar em uma faculdade de medicina, seria necessário fazer contatos e ser indicado por um profissional.

“Saí da escola praticamente sabendo ler e escrever. Nunca tinha ouvido falar em mitocôndria. Para fazer contatos com médicos e seguir a profissão, trabalhei no serviço de atendimento ao consumidor no Hospital Bandeirantes, em São Paulo”, conta.

Lá, Douglas dialogou com profissionais e acompanhou a rotina de atendimento aos pacientes. Descobriu que precisaria prestar os chamados “vestibulares” - e que eles eram muito concorridos para medicina. E o mais difícil: teria de compensar todo o conteúdo que deixou de aprender na escola estadual.

Douglas escolheu estudar medicina na USP. (Foto: Arquivo pessoal)

“Pesquisei as mensalidades de cursinho e vi que custavam R$ 500, R$ 800. Então procurei por um comunitário, que custava R$ 50. Depois de um ano, fui para um gratuito, e, por último, estudei no Poliedro como monitor, para poder ter bolsa de 100%”, diz Douglas. Ele chegava às 7h para acender as luzes e preparar as salas para os professores. Ajudava os docentes nas aulas e, depois, ficava estudando até as 21 horas.

O jovem relata que a família não compreendia sua ausência nos encontros e o término de seu namoro. “Ninguém tinha feito faculdade pública, então era difícil que eles entendessem por que eu precisava estudar tanto”, conta. “Agora que fui aprovado, eles estão muito felizes. Pediram para eu tirar foto de tudo o que encontrar na faculdade. Comentam todos os meus posts nas redes sociais. Estão muito orgulhosos.”

Douglas, seu avô e sua mãe comemoraram a aprovação em quatro universidades. (Foto: Arquivo pessoal)

Cotas

Douglas escolheu estudar na USP – foi selecionado pela Fuvest, com o bônus de 20% na nota para candidatos que fizeram o ensino fundamental e o médio em escola pública. Ele defende o sistema de cotas como forma de competição justa. “É fundamental. Eu sabia só o básico quando saí da escola. Não dá para comparar com quem se preparou a vida inteira em colégios particulares. Descobri o vestibular aos 18 anos e não tenho vergonha nenhuma disso", argumenta.

O jovem diz que estava ansioso com o início das aulas na universidade – principalmente por ser cotista. “Sei que, muitas vezes, existe uma hierarquia entre os alunos de medicina. Não gosto disso”, conta. “Mas fui conhecer a faculdade depois do resultado do vestibular e os veteranos me receberam muito bem. Disseram que não vai ter trote violento e que vão me ajudar no que for preciso, inclusive nas provas. Estava com medo, mas fui acolhido”, completa.

São Paulo USP

Fonte:G1

TAGS

COMENTÁRIOS(0)

*Obs:Os comentários são de inteira reponsabilidade dos usuários, de acordo com os Termos de Uso.

ENCONTRE-NOS:+