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Como superar a desconfiança em relação aos planos de saúde?

Como superar a desconfiança em relação aos planos de saúde?
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Operadoras trabalham para combater o desperdício, que chega a R$ 28 bi por ano, e melhorar atendimento “Vivemos uma crise gigantesca de desconfiança”

“Vivemos uma crise gigantesca de desconfiança”. Essa foi a declaração mais contundente que ouvi no segundo dia do 4º Fórum de Saúde Suplementar, realizado semana passada no Rio de Janeiro. Foi dada pelo médico Josier Marques Vilar, participante de um dos debates, e traduz à perfeição a relação entre operadoras de planos de saúde e seus clientes, principalmente quando esses envelhecem e necessitam de mais cuidados. Idosos são a única faixa etária que cresce em planos de saúde: houve um crescimento de 2,5% desses beneficiários em agosto, na comparação com o mesmo período de 2017, de acordo com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar.

Quem contrata o plano se angustia com os reajustes que se tornam cada vez mais salgados no orçamento. Já as operadoras reclamam que o setor trabalha com uma margem de apenas 2%, embora não se possa esquecer que, enquanto algumas das mais de 700 empresas estão com a corda no pescoço, outras vão muito bem das pernas. A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), em sua publicação sobre os desafios do setor, aponta que “o aumento dos custos decorre, em parte, de um maior gasto direto com idosos”. Também lembra que, “se a solidariedade intergeracional promove, justamente, uma maior capacidade de permanência dos idosos em seus planos de saúde, por outro lado aumenta o custo para os mais jovens” – trocando em miúdos, os mais jovens poderiam pagar mensalidades mais baratas mas, para a conta fechar, desembolsam mais para bancar os custos dos mais velhos.

Idosos repressentam a única faixa etária que vem crescendo em planos de saúde — Foto: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=53574398

Essa é uma visão que pode estimular um “nós (jovens) contra eles (velhos)”, ignorando a contribuição que esses últimos deram ao longo de suas vidas. Há outros caminhos a serem trilhados e os participantes do evento acreditam que combater o desperdício, que chega a R$ 28 bilhões por ano, é um deles. Essa dinheirama vai para o ralo por causa de exames e procedimentos desnecessários, ou pela falta de padronização de protocolos – quando fica a critério de cada médico o que fazer. Para Denise Santos, CEO da Beneficência Portugal de São Paulo, “os custos crescentes não combinam com o poder aquisitivo geral. É fundamental um trabalho conjunto com o corpo clínico para implementar mecanismos de controle que garantam eficiência e produtividade”. Esse é o roteiro que a instituição vem seguindo à risca, sem fugir do que Denise chama de “gestão das consequências”: 37 equipes médicas foram demitidas por desrespeitar as regras.

Henrique Lian, diretor de relações institucionais e mídia da Proteste, fez uma constatação sombria: “parece que desistimos do nosso papel de cidadãos de tentar fazer com que o SUS (Sistema Único de Saúde) funcione”. Na sua opinião, é importante que as pessoas entendam que “estamos todos no mesmo barco: o consumidor pode ser orientado sobre o custo dos procedimentos, mas o empreendedor deve aceitar sua parte do risco. Coparticipação não é bala de prata”. Ele se referia à mobilização do mercado para a introdução do modelo de franquia e coparticipação dos clientes, norma que chegou a ser aprovada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar): a resolução previa as modalidades de coparticipação, na qual o cliente arca com parte dos custos do atendimento; e de franquia, no qual é preciso desembolsar um valor mínimo para ter acesso ao serviço. Diante do impacto negativo da medida, a ANS voltou atrás e derrubou a norma.

Maurício Lopes, vice-presidente de produtos de saúde e odonto da SulAmérica, quis demonstrar a vantagem da franquia fazendo uma analogia com o comportamento dos donos de automóveis: “quando a franquia não existia, bastava um arranhão na porta e o dono do carro mandava para o conserto, agora ele pensa duas vezes”. A comparação não é feliz: a maioria esmagadora dos seres humanos não sai correndo para se submeter a exames e procedimentos só porque deu um espirro. Quem por acaso acha que tirar sangue ou fazer uma tomografia é um bom programa? Provavelmente será um conjunto de fatores que mudará o quadro, como convencer os médicos da necessidade de protocolos mais rígidos que evitem desperdícios, ideia vista com reserva por muitos profissionais; além de investir na prevenção, estimulando os clientes de planos a adotar hábitos saudáveis – assim o serviço poderia melhorar sem incorrer numa escalada de preços. Ou, como pontuou o diretor da Proteste, que representa os consumidores, “a premiação funciona melhor que o cerceamento”.



Fonte:G1

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