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Aos 35 anos, professor de cursinho volta a ser aluno e passa em medicina na USP e na Unifesp

Aos 35 anos, professor de cursinho volta a ser aluno e passa em medicina na USP e na Unifesp
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Formado em química e professor de cursinho desde 2003, ele passou o ano de 2017 também como aluno em busca de uma segunda graduação e uma nova carreira.

Alexandre Hamada é um dos nomes que apareceram na lista de aprovados na primeira chamada da Fuvest nesta sexta-feira (2), o que pode ter surpreendido alguns concorrentes. O vestibular que seleciona para vagas de graduação na Universidade de São Paulo (USP) talvez seja a primeira opção de dezenas de alunos de Alexandre, que, aos 35 anos, e depois de 13 anos dando aulas em cursinho, decidiu mudar de carreira: durante o ano de 2017, ele alternou a posição em frente à lousa nas aulas de químicas que dá no Anglo Vestibulares desde 2007, em São Paulo, pelas carteiras nas salas de aula de seus colegas de outras disciplinas.

"Fiz cursinho no próprio Anglo", contou ele ao G1. "Assistia às aulas de manhã, estudava à tarde e à noite. De vez em quando eu não assistia à aula para dar as minhas aulas."

As aulas que Hamada assistiu no cursinho eram de outra turma, por isso ele diz que só encontrava seus próprios alunos durante os simulados. "Mas eu assistia às aulas dos meus colegas professores", conta ele, que diz ter seguido os conselhos dos colegas sobre como se preparar para o vestibular. Além da aprovação na USP, ele também passou em medicina pelo vestibular misto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como primeira fase.

Ele também atribui sua aprovação na primeira tentativa à maturidade e à segurança de já ter uma carreira consolidada. "Por já ter feito uma faculdade antes, e já estar acostumado a estudar em uma rotina mais puxada do que normalmente é o colégio, esse tipo de coisa acabou sendo mais fácil", explicou Hamada.

"E já tenho uma carreira, então lido melhor com a pressão na hora de fazer a prova. Se eu não passasse nesse ano, eu não ia ficar com peso na consciência. Isso ajuda bastante."

Segunda graduação

Medicina vai ser a segunda graduação do professor, que foi aprovado para o vestibular na carreira de química há mais de 15 anos, quando concluiu o colégio. Mesmo antes de concluir a faculdade, porém, ele já começou a trabalhar dando aulas em cursinho, carreira que seguiu até agora, e que pretende manter nos próximos anos, ao mesmo tempo em que fará sua formação em tempo integral como médico.

"Vou ter que dar um jeito de conciliar o trabalho com a faculdade. Vão ser seis anos bastante cansativos, mas acho que vai dar para levar", afirmou Hamada, que prevê, pelo menos, uma certa facilidade nas disciplinas de química da nova graduação.

Segundo ele, a vontade de mudar apareceu em 2016, e a medicina foi escolhida, em parte, por ser uma carreira acolhedora para pessoas mais velhas.

"Não sei se dá pra falar isso pra todas as áreas, mas a impressão que tenho da medicina é que a maturidade vai fazer muita diferença na faculdade e depois para trabalhar. Acho que é um curso que abraça bem pessoas mais velhas."

Perspectiva confirmada

A experiência como aluno de cursinho, depois de tantos anos na função de professor, não mudou sua visão do processo de ensino e aprendizagem, mas Hamada explica que uma convicção se confirmou durante o ano de 2017: o conteúdo esperados pelos vestibulares exigem uma extensa preparação dos estudantes.

"Ficou bem claro pra mim que o conteúdo programático do ensino médio como um todo é extenso demais. Eu já tinha a impressão de ser, e agora ficou bem claro. Os assuntos não são muito aprofundados, não são difíceis em si, mas o volume de coisas para estudar é muito grande."

Enem Fuvest UNIFESP USP

Fonte:G1

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