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Prova mais curta, fase única, questões temáticas: entenda 1º vestibular indígena da Unicamp

Prova mais curta, fase única, questões temáticas: entenda 1º vestibular indígena da Unicamp
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Universidade realiza no próximo domingo (2) processo seletivo inédito específico para indígenas

Prestes a realizar o primeiro vestibular indígena da sua história, a Unicamp aposta na elaboração de um modelo de prova e seleção que considera a vivência de ensino específica deste público. Prova em português? Perguntas sobre o cotidiano de aldeias? O que cai num vestibular indígena, afinal? Para ajudar o internauta a entender como será a avaliação, o G1 listou cinco semelhanças e cinco diferenças entre este processo seletivo específico e o convencional.

A prova inédita será no próximo domingo (2) e foi criada para ampliar o ingresso de indígenas nos cursos da universidade. Houve 610 inscritos para 72 vagas, a maior parte deles fará a prova em São Gabriel da Cachoeira (AM). O G1 e a EPTV acompanham no decorrer desta semana a viagem da Comvest até o município, que é o mais indígena do Brasil, para produzir uma série de reportagens sobre este que será o maior deslocamento já feito pela Comissão para aplicar um exame.

Mapa Campinas / Manaus / São Gabriel da Cachoeira — Foto: Arte / G1

Diferente por quê?

Antes de elencar os pontos convergentes e os diferentes entre os dois vestibulares, é preciso entender por que a Unicamp decidiu criar um processo distinto para os indígenas e o que isso representa para a universidade e também para as lideranças étnicas.

"A experiência educacional dos alunos indígenas é diferente dos alunos regulares, mesmo dos alunos negros. Por exemplo: estes alunos são mais velhos que os nossos vestibulandos tradicionais. Se eles são concluintes do Ensino Médio com uma faixa etária maior, isso já indica uma trajetória escolar mais complicada. Então, colocá-los disputando na mesma condição de igualdade que um estudante negro, por exemplo, com cotas, não permitiria a inclusão destes estudantes indígenas", explica o coordenadro executivo da Comvest, José Alves Freitas Neto.

Para o movimento indígena, um vestibular nesses moldes caracteriza uma vitória dentro da busca por políticas afirmativas. Para Juvêncio Carodos, líder indígena de São Gabriel da Cachoeira, professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas, a ida da Unicamp a cidade significa a ampliação das oportunidades dos jovens locais .

"Nós percebemos isso como um avanço, uma conquista do movimento indígena e, principalmente, da juventude, que tem poucas oportunidades como esta que está acontecendo e que, a partir desta oportunidade, vai surgir a possibilidade de vários estudantes continuarem seus estudos em várias áreas de conhecimento, que muitas vezes são limitadas aqui na região Norte", afirmou.

Vista aérea da Unicamp, em Campinas — Foto: Antoninho Perri/Ascom/Unicamp

A seguir, veja as diferenças e semelhanças entre este vestibular e o convencional.

Diferenças

1. Fase única

O processo seletivo exclusivo para indígenas não possui segunda fase, como no vestibular tradicional. Isso ocorre, segundo a Comvest, por questões de logística e também por conta do vestibular indígena ter uma concorrência menor, que dispensa a primeira "peneira".

2. Tamanho da prova

Ao contrário da prova do vestibular tradicional, que tem 90 questões de múltipla escolha na primeira fase, a avaliação do vestibular indígena possui 50 questões e uma redação. Os estudantes têm cinco horas para a realização do teste. "É um vestibular mais direto, do ponto de vista de linguagem e tamanho de questões e mesmo de problemáticas", explica Freitas Neto.

3. Língua estrangeira

A prova do vestibular indígena não cobra conhecimento em inglês. Isso porque a Unicamp entende que, boa parte dos indígenas tem como língua-mãe o idioma das comunidades às quais pertencem, a prova em língua portuguesa já é considerado um esforço de conhecimento em segunda língua. "Tal como nós, ao fazermos uma prova em outra língua, por mais que sejamos fluentes, temos dificuldade, então, se ela for mais simples, mais claro ficará", diz o coordenador da Comvest.

4. Literatura

O vestibular indígena não cobra dos candidatos conhecimento sobre uma lista de obras literárias obrigatórias para questões de literatura, como o vestibular convencional, que exige conhecimento de 14 obras literárias. "É um vestibular que vai cobrar mais raciocínio que informação de conteúdo", afirma Freitas Neto.

5. Temática

Segundo a Comvest, como a experiência educacional do indígena tem suas particularidades, as questões do vestibular específico também buscarão acompanhar este contexto. "Na prova, o indígena vai discutir assuntos que são mais relacionados a sua experiência. Parte da sua cultura. Então ele vai fazer prova de raciocínios lógicos, de conhecimento, de leitura e interpretação, mas sempre pautado pela sua experiência cultural e escolar", explica o coordenador.

Semelhanças

1. Critérios de desempenho

Em ambos os processos seletivos, a Unicamp pretende avaliar nos candidatos o desempenho deles em seis critérios: expressar-se com clareza; organizar suas ideias; estabelecer relações; interpretar dados e fatos; elaborar hipóteses e demonstrar domínio dos conteúdos das áreas de conhecimento desenvolvidas no ensino médio. Em relação a esta última, a Comvest salienta que os mesmos conteúdos são considerados nas duas provas.

2. Prova em língua portuguesa

As provas dos dois vesibulares são em língua portuguesa, apesar de esperar-se que alguns dos candidatos tenham como língua-mãe idiomas indígenas. A maior parte de inscritos no processo especial, por exemplo, é de São Gabriel da Cachoeira, cidade que possui quatro idiomas oficiais.

3. Voluntários locais

Assim como no vestibular tradicional, a Unicamp conta com o apoio de pessoas de cada uma das cidades onde a prova é realizada para auxiliar na aplicação do exame. No vestibular indígena não será diferente. Só em São Gabriel da Cachoeira, município amazonense que concentrou maior parte das inscrições, 20 agentes serão treinados para atuar nas funções de fiscais volantes e auxiliares, fiscais e chefia de prédio.

4. Segurança

As duas avaliações também se assemelham em relação ao sistema rigoroso de segurança em relação à prova. Tanto o processo de elaboração das questões quanto a logística que envolve a confecção da prova são mantidos em rigoroso sigilo.

5. Pode e não pode

Os estudantes que se submeterem ao processo seletivo indígena terão de respeitar as mesmas regras que os vestibulandos do processo seletivo geral. Os estudantes são orientados a chegar ao local da avaliação com antecedência, porque a entrada após o início da prova não será permitida. O edital também prevê proibição de uso de aparelhos celulares ou quaisquer outros equipamentos eletrônicos, relógios digitais, corretivos de qualquer tipo, lapiseira, caneta marca-texto, bandana/lenço, boné, chapéu, ou outros materiais estranhos à prova.

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Fonte: G1

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