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Boechat, um farol para várias gerações de jornalistas

Boechat, um farol para várias gerações de jornalistas
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Hoje é um dia triste para o jornalismo

Hoje é um dia triste para o jornalismo. Nos despedimos de um grande colega de profissão e de um grande ser humano.

Nesse ofício do jornalismo, a ponta da lança é a reportagem. O repórter é quem busca e, normalmente, descobre as informações.

Ricardo Boechat era um exímio jornalista e tinha uma grande habilidade em revelar notícias. Durante a carreira, ganhou três prêmios Esso de jornalismo, a mais importante premiação do Brasil.

Uma das reportagens foi "Sinal verde para o contrabando", escrita para o jornal "O Globo" e publicada em 2001 em parceria com Bernardo de La Peña e Chico Otavio. Nela, Boechat e os outros dois jornalistas revelaram as fragilidades da alfândega brasileira e a facilidade que os importadores encontravam para trazer suas mercadorias para o país sem qualquer endosso formal.

Mas o jornalista tinhas outras facetas humanas. Ricardo Boechat era um grande amigo da minha família, muito próximo dos meus pais, e carinhoso com todos nós. Guardo comigo suas palavras de incentivo e carinho.

Em 2014, pude presenciar minha mãe, Miriam Leitão, e ele recebendo os prêmios de jornalistas mais admirados do Brasil, após uma eleição realizada pela newsletter Jornalistas & Cia e pela empresa especializada em mailing de imprensa Maxpress.

Na ocasião, Boechat teve mais votos, 3.640. Miriam veio logo depois com 3.580 pontos. Pela proximidade dos números, as equipes que organizaram a eleição consideraram que houve empate técnico entre os dois jornalistas.

Com humildade, ele honrou minha mãe durante a entrega do prêmio e mostrou o grande ser humano que era. Ao mesmo tempo, ela aproveitou o momento e contou publicamente o que repetiu hoje nos depoimentos que deu sobre o colega jornalista: quando estava em extrema dificuldade profissional, desempregada, Boechat elevou sua autoestima e saiu à procura de emprego para ela.

Boechat era um verdadeiro revolucionário da comunicação - um exemplo para todos nós desta profissão - porque era inquieto, estava sempre procurando mudanças. Foi esse ótimo repórter, colunista, transitou para a TV com grande sucesso e se reinventou no rádio. Em todos os veículos ele conseguiu criar novas formas de trazer a informação.

Internamente, Boechat deixa um vazio por ser tão leal, pela forma de trabalhar e pelo trato com os colegas. Em um momento em que a imprensa é atacada nas redes sociais e tentam contamina-la com as "fake news", Boechat era um farol e um termômetro para todos os jornalistas.

Extremamente corajoso e criativo, Boechat deixa um importante legado para várias gerações de jornalistas. E também esse enorme vazio em meio aos tempos difíceis que enfrentamos.

— Foto: Editoria de Arte / G1

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Fonte: G1

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